sexta-feira, 9 de dezembro de 2016


AUMENTO DA AUTOMUTILAÇÃO ENTRE OS JOVENS

Meus amigos, é impressionante a estimativa, feita por especialistas, de que 20% dos jovens praticam automutilação. Isso configura um grave problema de saúde pública, que precisa ser considerado atentamente pelas autoridades do setor, pela sociedade e, em especial, pelas famílias com filhos adolescentes.

Na edição de 20 de novembro passado, o programa Fantástico, da Rede Globo, abordou com propriedade esse assunto, entrevistando profissionais de saúde, ouvindo depoimentos de jovens com história de automutilação e visitando ambulatórios de tratamento.



“Diálogo doméstico permanente; boa relação entre pais e filhos e o cuidado constante para que a adolescência, uma fase quase sempre difícil, seja superada sem maiores traumas, são ingredientes que podem fazer evitar esse tipo de flagelo.”

O Brasil não tem estatísticas oficiais a esse respeito, mas, como informado na reportagem, os estudos feitos em diversos países coincidem na avaliação de que o problema afeta cerca de um quinto dos jovens, o que provavelmente ocorre também aqui.

A mais recente classificação internacional de doenças mentais, divulgada em 2013, aponta a automutilação como autolesão não suicida, ou seja, quem se mutila não tem a intenção de acabar com a própria vida – na verdade, está tentando, ainda que de forma inadequada, pedir ajuda para resolver suas dificuldades emocionais.

Em geral, os jovens procuram esconder da família a automutilação, embora às vezes a divulguem a seus grupos nas redes sociais. Em alguns casos, os pais desconfiam porque notam, por exemplo, que mesmo em dias quentes os filhos estão usando roupas de mangas longas para ocultar os braços; o mais comum, porém, é que só tomem conhecimento ao receber um aviso da escola.

Sabe-se que a automutilação não é um fenômeno novo. Acredite, o Ambulatório de Adolescentes do Hospital das Clínicas de São Paulo já atende mais pacientes com esse problema do que envolvidos com drogas.

Os especialistas estabelecem um vínculo forte entre a automutilação e o bullying sofrido na escola. Adolescentes emocionalmente mais frágeis são muito sensíveis à reprovação social; pressionados, perdem a autoestima e podem recorrer à mutilação como uma espécie de pedido de socorro. Se as famílias não percebem, ou percebem, mas não os ajudam, a situação só tende a se agravar.

Tudo isso reforça a necessidade do diálogo doméstico permanente, da boa relação entre pais e filhos, e do cuidado constante para que a adolescência, uma fase quase sempre difícil, seja superada sem maiores traumas.

Precisamos evitar esse sofrimento para os nossos jovens!


Por: Antonio Bulhões
Deputado Federal / PRB-SP 

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