segunda-feira, 17 de outubro de 2016


O DESENCANTO DOS ELEITORES

Meus amigos, vivemos um momento difícil de nossa democracia. Após um ano de 2015 de crise econômica e protestos sociais, inauguramos o ano de 2016 com o impeachment da Presidente Dilma Rousseff e o aprofundamento dos escândalos de corrupção desvendados pelas investigações da Polícia Federal. 




“O desinteresse ostensivo e a apatia demonstrada nos contingentes
eleitorais entre os jovens, mulheres e representantes da classe média reclamam uma maior atenção e responsabilidade das lideranças políticas.”

Vivemos uma crise moral, política e social que reclama atitudes urgentes dos governantes e da cidadania. O que menos podemos nos fiar para a solução destes problemas é a apatia e a indiferença política. Com efeito, são os momentos de crise que reclamam uma maior atenção e responsabilidade das lideranças políticas e do eleitorado.

É verdade que as condições de participação política estão longe de se apresentarem como ideais. A atual crise política afasta os eleitores dos chamados partidos tradicionais.

Os atuais prefeitos enfrentam dificuldades. Poucos deles conseguiram realizar boas obras, o dinheiro acabou, a Lei de Responsabilidade Fiscal ameaça todos com a inelegibilidade e os empréstimos fáceis de outros tempos, como os do Banco Mundial, não existem mais.

Mais de 2 milhões de jovens, entre 16 e 17 anos ou recém-chegados à maioridade, ficaram aptos ao voto. Trata-se de uma geração que cresceu e se acostumou com uma certa calmaria econômica, que aprendeu a discutir sexualidade e liberdades individuais sem travas.

Mas como está o espírito e a cabeça desses jovens estreantes? É preciso considerar o caldo em que esse eleitor está sendo forjado, um caldeirão em que se misturam Operação Lava-Jato, processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, ocupações de escolas estaduais, aumento de desemprego e muito mais.

Muitos são os eleitores com pelo menos o segundo grau completo, renda de classe média, cuja opinião está contaminada pelas crises política e econômica dos últimos anos.

Temos, portanto, importantes contingentes eleitorais entre os jovens, mulheres e representantes da classe média que demonstraram seu desencanto político por meio de um desinteresse ostensivo com respeito às eleições municipais.

E este desinteresse está longe de ser um fator meramente conjuntural. Com efeito o Brasil se integra a uma tendência regional na América Latina de desapreço pela democracia.

Precisamos, portanto, reelaborar estratégias de reconexão com o eleitorado e criar contra-tendências de combate à apatia e ao desapreço pelas instituições políticas.

Por: Antonio Bulhões
Deputado Federal / PRB-SP



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