sábado, 6 de agosto de 2016


ASSASSINOS AO VOLANTE

Meus amigos, vocês sabiam que as mortes no trânsito no Brasil já superam os crimes de homicídio e as mortes por câncer?

Isto é uma tragédia nacional, que nos coloca na contramão da tendência mundial de redução dos acidentes de trânsito.

Enquanto, na maioria dos países ricos e emergentes, verificou-se uma queda acentuada das mortes no trânsito, no Brasil, estes números não param de crescer.

O Brasil tem a quinta maior taxa de mortes no trânsito do planeta. No Brasil, o principal fator da violência no trânsito é humano.


“O único caminho para se combater a cultura da irresponsabilidade no trânsito é uma fiscalização constante e eficiente, associada a uma punição implacável.”

É verdade que nossas estradas são precárias, a infraestrutura é deficiente, há falhas na sinalização. Todos estes fatores aumentam o risco, mas eles são enormemente potencializados pela falta de responsabilidade e de perícia dos nossos motoristas.

Condutores de carros e de ônibus, motociclistas, ciclistas e pedestres não observam as mais elementares regras de circulação. Dirigem embriagados, ignoram a sinalização, desrespeitam os limites de velocidade, avançam o sinal e falam ao celular enquanto dirigem.

Outro fator que contribui para os dramáticos índices de morte no trânsito é a ineficiência do poder público na aplicação das leis e a inclinação do brasileiro para burlar regras.

Infrações de trânsito são consideradas não mais do que pequenos deslizes. O acidente de trânsito entre nós é tido como uma fatalidade, um acontecimento fortuito e não previsto, e, quando ele resulta em morte, quase sempre a condenação é por homicídio culposo, ou seja, aquele em que não há intenção de matar.

O único caminho para se combater essa cultura da irresponsabilidade é uma fiscalização constante e eficiente, associada a uma punição implacável. É o que se tem tentado fazer com a embriaguez ao volante. Quando a Lei Seca entrou em vigor, o impacto positivo foi imediato. Mas bastou os motoristas descobrirem que não eram obrigados a soprar o bafômetro para que os índices de mortes voltassem a crescer.

Meus amigos, a morte no trânsito não é uma fatalidade, um acidente imprevisível e inevitável. Ela é resultado de uma conjugação de fatores que interagem e resultam numa fórmula explosiva e perigosa: risco, aventura, displicência, ignorância, desobediência, impunidade.

É preciso disseminar na sociedade a noção de que o acidente de trânsito pode ser evitado com maior senso de responsabilidade por parte do motorista; esta é a chave para que consigamos reduzir os nossos dramáticos índices de acidentes.

Que nós, motoristas, reflitamos sobre esta tragédia cotidiana que tem por palco nossas ruas e rodovias e façamos o que estiver ao nosso alcance para pôr fim ao imenso desperdício de vidas, à dor, mutilação e sofrimento inomináveis que se abatem sobre centenas de milhares de brasileiros anualmente no trânsito.


Por: Antonio Bulhões
Deputado Federal / PRB-SP


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