quarta-feira, 10 de agosto de 2016

A EXTERNALIDADE DA DEMAGOGIA

Meus amigos, existem algumas decisões que são fáceis de acertar. Outras decisões já são mais difíceis de perceber-se alguma consequência. Quando a economia crescia, no mesmo tempo em que o discurso político da inclusão alcançava a hegemonia, muito pouca gente do povo era ouvida sobre os problemas que poderiam aparecer com a política de inclusão.

O Brasil tinha pressa e naquele tempo parecia existir um governo preocupado com o social, como nunca antes na história do Brasil. Com uma base popular ampla, o governo partiu para atender às demandas justas daqueles movimentos sociais.

Mas como diz o ditado, o diabo está nos detalhes.



A política de cotas raciais para candidatos às universidades, com o objetivo de reparar a “injustiça racial”, acabou institucionalizando o tribunal racial. O candidato autodeclarado negro, agora, precisa ser submetido à avaliação de uma comissão para comprovar se é realmente negro.”

O governo se fixou nos detalhes de que tinha o dever histórico de implantar programas que ajudassem aqueles que não conseguiam progredir pelas regras vigentes. Criou-se a política de cotas raciais para os candidatos às universidades com o objetivo de reparar uma injustiça. Política que depois foi expandida para outros setores e para outros grupos.

Já naquela época de otimismo, uma questão moral não conseguia ser resolvida. Como se definiria o candidato que teria direito ao benefício da política de ação afirmativa? Não houve uma resposta satisfatória.

Optou-se então pelo reconhecimento da autodeclaração racial do candidato. Não precisaria de muita inteligência para desconfiar que a política da autodeclaração estaria sujeita a fraudes nos disputados concursos.

A consequência negativa dessa política seria muito fácil de imaginar. Com toda boa intenção, a burocracia estatal baixou normas para que o candidato autodeclarado negro somente seria admitido, após ser submetido à avaliação de uma comissão para comprovar se é realmente negro.

A burocracia, cheia de boas intenções, instituiu um tribunal racial tal como fazia o Nazismo e a política de Apartheid na África do Sul para reprimir as fraudes da autodeclaração. Implantamos então um julgamento racial para controlar uma política pública cheia de boas intenções e isso não é motivo de orgulho.

Essa é a consequência de termos vivido sob um governo demagogo com os movimentos sociais. Desde o início do século passado, já se sabe da miscigenação do povo brasileiro. Desde muito tempo já se sabe que o País nunca implantou uma política oficial de segregação racial. A dificuldade que a maioria dos negros tem é mesma dos brancos, indígenas e amarelos, quando têm pouco poder aquisitivo.

Uma política de ação afirmativa que seria mesmo justa é aquela que elegesse os que vivem com pouco dinheiro. Independentemente da cor da pele, as pessoas pobres são as que mais têm dificuldades de modificar o destino.

O governo poderia ajudar a quem realmente precisa sem recorrer a um tribunal racial. Poderia privilegiar com políticas de ação afirmativa a população que vive com renda baixa. Seria uma política de fácil implantação, porque o governo já tem o cadastro das pessoas que recebem o Bolsa-Família.

O governo precisa decidir se quer manter o Brasil como uma sociedade aberta,  uma sociedade em que todos têm direito de buscar um lugar ao sol.


Por: Antonio Bulhões
Deputado Federal / PRB-SP


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