sexta-feira, 24 de junho de 2016

O QUE SE QUER DE UMA UNIVERSIDADE

Meus amigos, qual é a importância de uma universidade? A grosso modo, as universidades teriam duas finalidades principais. Uma seria a busca para o bem de todos e a outra seria a busca para o bem individual.

Chamarei a busca para o bem coletivo a capacidade que ela tem de difundir o conhecimento. Como sabemos, todos os países desenvolvidos possuem universidades de ponta.



Um governo ético não pode comprometer a justiça social com os alunos desfavorecidos e nem o futuro do país com ciência.

Os conhecimentos lá produzidos são aproveitados em prol do seu povo, porque se transformam em tecnologia, que retornam para a população sob a forma de bens que trazem mais conforto e riqueza.

A universidade, nesse caso, seria como uma indústria, cuja mercadoria produzida é o saber sempre a ser aperfeiçoado. Nessa finalidade, o Estado, garantidor da educação, tem que atuar conforme o mercado mais competitivo, onde somente os mais eficazes permanecem. Para o Estado atuar em favor da coletividade, os de maiores méritos devem ser selecionados dentro de uma elite acadêmica de professores e alunos.

Na outra finalidade, que chamarei de universidade para busca do bem individual, o objetivo do Estado é promover ascensão social de cada um. A universidade teria um programa social do governo, de modo a dar oportunidade a todos. Dentro dessa finalidade, o Estado selecionaria os estudantes pelos mais diferentes critérios como cota racial, cota social ou concurso meritocrático.

Pelo primeiro critério, o Estado precisaria criar uma política pública nos moldes do programa Ciência sem Fronteira, por meio do qual o governo leva os melhores alunos para estudar no exterior. Nesse critério, os melhores alunos selecionados por concurso estudariam em instituições brasileiras competitivas entre si e organizadas para o resultado.

Ainda que houvesse boa formação nas escolas de ensino médio e fundamental para todos, a política educacional para a ciência trataria os desiguais desigualmente, como ensinado por Rui Barbosa. Nem todos têm a mesma inteligência e força de vontade para estudar com profundidade. Isto não pode ser visto como um método paliativo para cobrir a nossa falha estrutural na educação fundamental.

Esta é uma realidade que um governo ético tem que considerar para não comprometer a justiça social com os alunos desfavorecidos e nem o futuro do país com ciência.

Por exemplo, no Instituto de Ciência de Israel, o critério de seleção é baseado no mérito. A pessoa tem que ser boa no que faz, ter curiosidade e paixão pela ciência. Pelo critério do instituto, não interessam o país em que o candidato nasceu nem a cor da sua pele.

Esses são os enfoques que acredito que sejam necessários para a Educação e para a Ciência no Brasil. Fazer políticas públicas educativas para o crescimento social dos indivíduos e políticas públicas para o coletivo da sociedade.


Por: Antonio Bulhões
Deputado Federal / PRB-SP


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