sábado, 18 de junho de 2016

A POLÊMICA DAS COTAS RACIAIS

Meus amigos, a reserva de vagas para determinadas parcelas da população no ingresso nas universidades, no serviço público e até no setor privado é muito polêmica e, desde que foram adotadas, as cotas geram acirrados debates no País.


“Cotas sociais, que reservam vagas para a população de baixa renda, reduziriam muito mais as desigualdades sociais do que qualquer outro tipo de cota, seja ela racial ou de gênero.”

Eu sou favorável às cotas sociais, que reservam vagas para a população de baixa renda. Não aprovo, contudo, nenhum outro tipo de cota, seja ela racial ou de gênero.

Não vejo sentido algum em privilegiar negros, em detrimento de outros que embora brancos, entram em desvantagem em qualquer disputa, uma vez que, com frequência, também são obrigados a começar a trabalhar muito cedo para ajudar no orçamento doméstico, e dependem do ensino público para sua formação.

Quanto às cotas eleitorais de gênero, não é o sexo de um representante que vai determinar que causas ele defende.

Historicamente, sempre houve um grande percentual de representantes do sexo masculino inteiramente comprometidos com bandeiras de interesse das mulheres.

Mas voltemos às cotas raciais. Em primeiro lugar, é muito difícil determinar a etnia de um indivíduo no nosso País, onde houve um intenso processo de miscigenação ao longo da história.

Prova disso foi o episódio ocorrido na Universidade de Brasília, quando um de dois gêmeos idênticos foi considerado negro e seu irmão não.

Meus amigos, o Brasil inspirou-se na experiência de outras sociedades para a adoção das cotas. A proposta de reserva de vagas como política afirmativa nasceu nos Estados Unidos, em 1960, com objetivo de reduzir a desigualdade racial no país.

O que os defensores das cotas omitem é que, em 2007, a Suprema Corte americana aboliu o sistema de cotas raciais porque constatou-se que esta política não atingiu o objetivo a que se propunha.

Aqui, não só copiamos como fomos além, criando uma série de outras cotas que em nada ajudam a construir uma sociedade justa e igualitária como almejamos.

À exceção das cotas sociais, que podem ser concedidas por meio de um critério muito razoável e objetivo, que é a comprovação de renda, sou totalmente contrário, portanto, à política de cotas que se disseminou na nossa sociedade nos últimos anos.

Por: Antonio Bulhões
Deputado Federal / PRB-SP



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