domingo, 27 de março de 2016

AS CERTEZAS DOS TOLERANTES


Meus amigos, havia uma época em que conceitos precisos estavam limitados às ciências duras como a matemática e a física. Nas ciências morais e sociais, o fundamento vinha de princípios e não de leis.


“Os novos guias morais da humanidade consideram-se muito tolerantes e arejados, mas quando são contestados, são severos com quem os desafia, ou expressam aquele olhar de falsa piedade, como se o interlocutor fosse um alienado, ou um fascista. Pregam a tolerância, mas chamam de intolerantes quem discorda deles.”

Apresentada a ideologia como dogma, como aquela mostrada pela Revista Veja, os autores surgem como os novos guias morais da humanidade. Tem muita vaidade e pouca tolerância com as opiniões divergentes. Não raro desprezam o interlocutor, acusando-os de atrasados conservadores e preconceituosos.

Acusam, porque têm a pretensão de conhecer todos os segredos do mundo. Apresentam soluções simples para problemas eternos, desde que todos os outros obedeçam a sua moral.

Consideram-se muito tolerantes e arejados, mas quando contestados, são severos com quem os desafia, ou expressam aquele olhar de falsa piedade, como se o interlocutor fosse um alienado, fascista. Dizem pregar tolerância, mas chamam de intolerantes quem discorda deles.

É preciso dizer: tolerantes são os humildes que, por princípio, cogitam estar errados. Mas essa não é a atitude deles. Têm tanta certeza de que estão certos que os outros é que devem ir a eles.

É justamente contra essa postura autoritária que nós, os conservadores, demonstramos o nosso ceticismo. Como poderemos ter certeza de algo que ainda não se fez?

"Para a retórica dos progressistas uma vida nascida na dificuldade não terá um futuro. Para eles o futuro já é um tempo acontecido, escrito e que podem ler.”

Vejam quando defendem o aborto. Explicam que é a mulher quem deve decidir, porque o corpo é dela e também porque ela sabe as dificuldades que terá para criar o filho. O futuro para a retórica dos progressistas já é um tempo acontecido. O futuro já estaria escrito e eles podem ler.

Quando consideram apenas na vontade da mulher para justificar o aborto, mais fácil se torna a retórica quando se tem o caso de uma mulher tuberculosa que engravidou de um homem sifilítico. Esse seria um caso exemplar para classificar o aborto de imperioso. Se essa verdadeira mulher tivesse decidido abortar, porque ela poderia fazer as regras, o mundo teria sido impedido de ouvir as sinfonias de Beethoven.

Alguém poderia dizer que esse exemplo isolado não pode justificar o todo. É verdade, mas ele é capaz de demonstrar que a pretensão dos progressistas de dizerem o futuro é falsa. Como eles podem afirmar que uma vida nascida na dificuldade não terá um futuro? Alguma mulher grávida poderá dizer que a vida dela é mais difícil que a da mãe de Beethoven?

Ninguém pretende negar a dificuldade ou a insegurança que as pessoas sentem. O que pretendemos é destacar que os valores que nos trouxeram até aqui permanecem válidos e devemos ter a prudência de preserva-los, porque nos fortalecem.

Por: Antonio Bulhões
Deputado Federal / PRB-SP



Nenhum comentário:

Postar um comentário