sábado, 27 de fevereiro de 2016

VIDENTES SOCIAIS


Vivemos um mundo em que quase todo dia surge uma novidade. Graças à velocidade da tecnologia parece que as pessoas já não vivem no tempo presente. Tudo é mudança e expectativa de progresso, a ponto de não perceberem os valores sociais que nos trouxeram até aqui.

Os “antenados” do mundo moderno vivem a idealização de um tempo como nos bons filmes de ficção. A diferença é que quando assistimos ao filme fazemos por recreação. Já os antenados idealizam a imagem para nos incluir nela.

Fico a pensar quão profetas eles se acham. Decretam novos comportamentos sociais como se tivessem a chave da porta do futuro, que lhes mostra as novidades ainda ocultas para os simples tocadores da vida.

Não sei se é falta de modéstia ou de cuidadosa análise histórica. Como já disse um filósofo do século XX, não existe nada nos tempos modernos que já não tenha sido pensada pelos gregos antigos.

Essa foi a primeira ideia que tive quando li a reportagem da Revista Veja, Amigues Para Sempre. Não é "amigos" ou "amigas", e sim "amigues". Terminei a leitura sentindo que vivia em mundo que não tem passado. Um mundo formado por uma mente moderna, que apaga o resultado da continua interação ao longo da história.

Nesse admirável mundo novo, descobri a existência de uma inaugural geração Z. Também que os dinossauros de todas as épocas anteriores são seres binários. A parte que me deixou aliviado nessa história foi a raiz etimológica da palavra. Sendo binários, temos mais propensão a sermos bípedes.

A matéria chama de binários aqueles que, espantosamente, ainda usam o termo masculino ou feminino quando se referem às pessoas. Dizem que no mundo novo serão ultrapassadas as desinências de gênero, que tem por função denotar as categorias  das palavras, porque a natureza humana não mais precisará sentir-se menino ou menina. Eles poderão sentir-se bissexuais, transexuais, homossexuais e até heterossexuais.

A matéria apresentou, como confirmação da chegada desse admirável mundo, a decisão da direção do Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro de suprimir as desinências, ou seja, a terminação de masculino e feminino dos cabeçalhos das provas e substitui-los por alunxonde o X substitui o A e O de aluna e aluno.

Os conservadores não acham producente contestar os valores que sobreviveram ao teste do tempo. Somos céticos a respeito de teses, que falam naturalmente sobre mudanças de comportamento da natureza humana. Como se isso fosse simples como trocar de roupa.

A civilização que chegou até aqui também viu algumas teses pseudocientíficas, que alegavam a superioridade de uma raça ou que pregavam a revolução de uma classe, serem sepultadas.

Foram derrotadas, justamente porque não deram importância a tradição dos séculos.


Como os brasileiros sensatos, que já viram todas aquelas ideologias florescerem e decaírem, podem acreditar que agora não mais haverá diferenças sexuais entre as pessoas? O que os conservadores pedem, a partir dessas e outras teses, é que se preze a razoabilidade das ideias. Como disse aquele sábio daquela velha Grécia, a virtude está no meio.


Antonio Bulhões
Deputado Federal / PRB-SP

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