sexta-feira, 6 de novembro de 2015

A PREOCUPAÇÃO DOS BEM FALANTES

Meus amigos, qual é o significado da expressão a Casa do Povo? Soaria uma retórica barata se na Câmara dos Deputados não pudesse o mais simples do povo participar das atividades legislativas.

O sentido real e verdadeiro é que o Congresso Nacional permite, nos corredores, nos plenários e nos auditórios, que parcela do povo se reúna para apresentar as próprias reivindicações.


Os jornalistas destacam a “democracia” do Congresso brasileiro, quando também os indígenas comparecem para mostrar à população brasileira as suas pretensões. Se eles se agregam nos plenários e até fazem um ritual de pajelança, os jornalistas não criticam. Ao contrário, elogiam a pluralidade democrática.

Agora, quando alguns deputados se reúnem na Câmara com representantes das igrejas cristãs, embalados por canções religiosas, o Brasil estaria apresentando ao mundo que caminha para um estado confessional. Foi esse o fundo de uma matéria extensa da versão brasileira do Jornal El País.

“Consequência lógica - com o aumento do número de evangélicos no Brasil, cresce o número de deputados da bancada evangélica da Câmara”.

O jornal considerou pouco comum ocorrer uma reunião de fiéis cristãos na Câmara dos Deputados de um país laico como o Brasil. Não dá para julgar se a expressão laico foi aplicada erradamente ou se a pessoa que a escreveu não conhece o significado.

É justamente por ser laico que o legislativo brasileiro permite ocorrer rituais religiosos indígenas e celebrações cristãs no ambiente da Casa do Povo.

Se a casa é do Povo, nela encontraremos brasileiros que professam muitas religiões e também aqueles que não acreditam em qualquer uma.

A matéria nos diz que, ao mesmo tempo em que aumenta o número de evangélicos no Brasil, cresce o número de deputados da bancada evangélica da Câmara. É uma consequência lógica, mas a raiz ideológica de quem escreveu vem nas páginas seguintes. Diz que a bancada tem conseguido emplacar projetos altamente conservadores, como a redução da idade para a imputação criminal, a manutenção da proibição do aborto e a aprovação do Estatuto da Família.

Pergunto ao jornal: Qual é o pecado de alguém ser um conservador? Será que o bem falante jornalista tem a pretensão de que apenas a sua ideia é a que pode nos levar ao progresso?

A opinião dos brasileiros

O povo, esse ser abstrato, usado demagogicamente pelos bons retóricos, no reconforto do lar, pensa e consolida esses conceitos conservadores.

·      Mais de 80% dele concorda que se deva reduzir a maioridade penal. Normalmente, quem acha isso atrasado são os modernosos jornalistas.
·      Uma parcela significativa do povo também é contra o aborto, como mecanismo de corrigir a consequência de uma decisão prazerosa anteriormente tomada.
·      Ainda nesse tema, há também a concordância de que a família é uma instituição formada por pai, mãe e filhos, ou mesmo por qualquer um dos dois com os descendentes.

Os bons jornalistas devem considerar que os legisladores honestos fazem as leis de acordo com a sociedade e não com a intenção de construí-la conforme uma ideologia. Os bons legisladores não pretendem agir como engenheiros sociais.

O que a matéria traz de fundo é o espírito do tempo. Os ideólogos de agora precisam atacar as religiões, para que consigam dominar as almas que as igrejas protegem. Por isso, as religiões, particularmente, as evangélicas são alvos preferenciais. Eles sabem que as religiões criam um círculo de valor e autoridade fora do alcance do poder do Estado.

Foi justamente pela difusão do ataque às famílias e às religiões que fez os conservadores organizarem-se. Se o povo não quer o tema, nós, os deputados evangélicos e os conservadores de outros credos, estamos atentos para defendê-lo de ideias contrárias aos nossos valores mais fundamentais.

Por: Bispo Antonio Bulhões

Data: sexta-feira, 06 de novembro de 2015.

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