sexta-feira, 9 de outubro de 2015

FACISMO DO BEM

O futuro Estatuto da Família entrou nas discussões finais neste ano. Como será uma Lei que regulará a conduta da vida particular na nossa sociedade, é claro que alguns temas são espinhosos. Um desses é sobre o reconhecimento das uniões homoafetivas como núcleo familiar.

A sociedade e o Congresso Nacional sabem que esse é um tema muito polêmico, porque envolve valores que formaram a sociedade brasileira. Sabedores de que a Câmara reúne os representantes do povo, nós deputados resolvemos ouvir a opinião direta da população para decidirem. O portal da Câmara organizou uma pesquisa virtual para saber como a sociedade se posicionava no tema.




“Não devemos acreditar como verdades puras o que se ouve nas televisões e nas pesquisas. Sempre se pode fraudar quando se quer um determinado resultado.”

A Câmara demonstrou humildade, porque sabe que o tema envolve profundas convicções sociais e ela não deve decidir apenas a partir de premissas teóricas. Mas os fascistas do bem acham que o respeito à opinião dominante é desnecessária.

Um moralista verdadeiro tentaria influenciar o senso comum utilizando métodos honestos. Os fascistas do bem não se preocupam com a honestidade do debate. Eles querem apenas vencer, ainda que para isso fraudem a discussão.

   A PESQUISA

Foi o que aconteceu com a enquete sobre a definição de família. A pergunta que se fazia, desde o ano passado, era se a população concordava com a família ser definida a partir do núcleo formado entre um homem e uma mulher. Inicialmente, e com mais de 1 milhão de participações, a enquete apresentava que 63% da população concordava com o texto do Projeto.

Entretanto, no ano seguinte e com mais de 10 milhões de votos, o resultado mudou substancialmente. Apurou-se que 51,62% dos votos seriam contra a definição proposta pelo Projeto do Estatuto da Família.

          A FRAUDE

Esse resultado não traria qualquer desconfiança se não fosse descoberta uma suspeita grave de fraude. Foi constatado que mais de 3 milhões de votos na opção Não vieram apenas de 66 computadores. Desses votos negativos, mais de 1,5 milhões vieram somente de uma máquina.

A falta de freios morais de honestidade dos fascistas do bem ultrapassou limites. Apenas um computador na cidade de Garanhuns votou 122 mil vezes na opção Não no dia 19 de julho de 2015. Sequer preocuparam-se em fazer o engodo verossímil. Garanhuns é uma cidade com 112 mil habitantes. Como podemos acreditar que um só computador da cidade possa registrar, enquanto durou a enquete, mais de 260 mil votos contrários?

A convicção de fazer a tese vencedora fez esses fascistas do bem se tornarem uns fraudadores sem noção. De um computador em uma cidade nos Estados Unidos, com 8.500 habitantes, partiram 216 mil votos Não. Quando o fanatismo contamina a razão, as pessoas perdem o limite de enganar.

Essa é uma lição que devemos tirar para a nossa vida. Não devemos acreditar como verdades puras o que se ouve nas televisões e nas pesquisas. Sempre se pode fraudar quando se quer um determinado resultado. Por isso, devemos sempre perguntar sobre como se chegou a tal resultado. Podemos acreditar, mas devemos exigir poder verificar.

Por: Bispo Antonio Bulhões
Data: sexta-feira, 09 de outubro de 2015.



Nenhum comentário:

Postar um comentário