quarta-feira, 5 de março de 2014

NOVA CLASSE MÉDIA


Quando falamos das classes C, D e E, estamos nos referindo a 150 milhões de pessoas que gastaram no ano passado 1,27 trilhão de reais. Só os jovens da classe C consumiram, em 2013, algo em torno de 129 bilhões de reais, contra 80 bilhões gastos pelos jovens das classes A e B. Ou seja: os jovens da classe C, integrantes da chamada “nova classe média”, consomem mais do que os jovens de todas as outras classes somadas.

A realidade e o poder da nova classe

Essa força econômica e política promove os “rolezinhos”, e é bom esclarecer, desde o início, que eles não tiveram nenhuma intenção de fazer protesto social ou baderna. Essas aglomerações são aquilo que sempre existiu: encontros de adolescentes.

Grupos políticos e criminosos, ou grupos políticos criminosos, tentaram aproveitar essas reuniões como oportunidade para o crime e a política. Mas não era disso que se tratava.

Se as classes C, D e E do Brasil formassem um país separado, esse país teria um poder de compra que o colocaria na décima sexta posição no ranking das nações que mais gastam (o Brasil está hoje na sétima posição). A periferia brasileira é mais forte, economicamente, do que a Holanda ou a Suíça.


A cidadania e as exigências da nova classe

Essas pessoas moram na periferia, têm péssimos serviços de educação, saúde, transporte e segurança pública, mas viajam de avião, compram celulares e roupas de grife. Para essas pessoas, o poder de consumir chegou antes de terem acesso à plena cidadania, ou seja, aos direitos de serviços públicos eficientes.

Treze milhões desses brasileiros mais pobres não têm água encanada, 37 milhões não têm coleta de lixo, e 77 milhões não têm coleta de esgoto; mas foram esses brasileiros que compraram 58% dos smartphones vendidos em 2013, e 54% das passagens de avião. O que vemos é o paradoxo de se viver na periferia carregando uma lata d’água na cabeça e ter um celular de última geração.

A julgar pelo consumo, as classes baixas são até mais exigentes do que as classes altas: no ano passado, 73% das mulheres da classe A e B compraram produtos piratas, mas, na classe C, esse número foi menor: 53%. Tudo isso é motivo para muita reflexão, e para ficarmos atentos às mudanças ocorridas no Brasil.


Por: Bispo Antonio Bulhões
Data: Quarta-feira, 05 de março de 2014.

Nenhum comentário:

Postar um comentário