sábado, 5 de maio de 2012


DEPUTADO 7 DIAS POR SEMANA



Frequentemente, somos questionados a respeito do volume de trabalho de um deputado com relação aos seus subsídios.  Não vou me estender na discussão sobre valores, pois é claro que o país, a despeito de todos os avanços sociais obtidos, ainda tem uma maioria esmagadora da população sobrevivendo com o salário mínimo ou aquém. Frente a esse fato, qualquer referência pode parecer gritante.

Mas o que tem causado espécie entre nós, pela falácia do argumento apresentado e sua repetição quase a exaustão, é a acusação de que o deputado trabalha apenas três dias, referindo-se os autores do sofisma aos dias da semana com sessão deliberativa.  É como se o trabalho parlamentar se restringisse a participar das sessões e comissões. E nós, deputados, assim como a população que efetivamente nos acompanha e nos cobra em nossas bases, sabemos que isso é falso.



Todos conhecemos a necessidade de se manter um vínculo com nossos eleitores. E esses, com exceção dos representados do Distrito Federal, raramente tem acesso aos meios necessários para nos visitar em nossos gabinetes parlamentares de Brasília. Mesmo em nossos Estados, o deslocamento pode ser difícil. Então, somos nós que temos que ir aonde o povo está.  E o fazemos relevando a própria convivência com nossa família.

Não direi que essa cota de sacrifício é impagável, já que é esse contato com os eleitores que oxigena nosso mandato. Que permite mantermos conectados com a realidade de quem nos proporcionou a oportunidade de representá-lo.

Se apenas 1% dos cidadãos que em mim depositaram a confiança de seus votos me procurarem, durante um mês, eu terei atendido uma média de 53 pessoas por dia. Se retirarmos os três dias de permanência mínima em Brasília, que muitas vezes, por questões de compromissos com autoridade federais, é prorrogado, a média sobe para mais de 453 atendimentos/dia.  Ou, impossíveis 18 entrevistas pessoais por hora.

Some-se a essa atividade, as visitas aos diretórios municipais, do PRB em São Paulo, que são mais de 450, onde mantemos acesa a chama da militância e trocamos experiências relevantes para a consolidação da vida partidária, e teremos claro que a vida de um deputado não se restringe aos dias em que seu expediente é dado em Brasília.


Podem não acreditar os críticos, mas durante nossos mandatos, somos deputados 24 horas por dia, sete dias por semana.  Para desespero, creio eu, de muitos em nossas famílias.

Evidentemente que a vida política no País tem problemas. E assim o é com o legislativo, espelho real de nossa sociedade, no que ela tem de mais brilhante e também de questionável.

Por isso, ouso afirmar que criticas como essas, atribuindo ao deputado um comportamento desidioso, que em nada se constata em nossa rotina, só pode ser fruto de pessoas ou grupos que querem ver o legislativo desmoralizado, o parlamento ajoelhado, a democracia ameaçada.

Posso afirmar que sou deputado sete dias por semana, 24 horas por dia. Mas, mais do que me preocupar com o relógio de ponto, espero que essa minha rotina parlamentar sirva exclusivamente para atender as expectativas de quem me trouxe até aqui: o eleitor.


Por: Bispo Antonio Bulhões
Data: sábado, 05 de Maio de 2012 às 20:47


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