segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O PAI SE ESQUECE

Escute, filho: eu digo isto enquanto você dorme. Entrei sozinho em seu quarto. Há alguns minutos, uma onda sufocante de remorso me envolveu. Sentindo-me culpado, vim à sua cabeceira.

Era nisto que eu estava pensando, filho: eu fiquei bravo com você.

Eu lhe dei uma bronca, enquanto se vestia para a escola. Eu chamei sua atenção porque você não limpou os seus sapatos. E eu gritei, bravo, quando você jogou algumas de suas coisas no chão.

No café da manhã eu também vi alguns erros seus. Você derramou coisas. Engoliu o alimento de qualquer jeito. Passou manteiga demais no pão. E enquanto você saia para brincar, você se virou e acenou, dizendo “tchau, paizinho!” Eu franzi a testa e respondi “cuidado para não se sujar!”

Então, no fim da tarde começou tudo de novo. Ao subir a rua eu espiei você que, ajoelhado, jogava bolinha de gude. Eu humilhei você diante dos seus amigos quando, aos berros, obriguei-o a entrar em casa.

Você se lembra quando, mais tarde, eu estava na sala e você se aproximou, tímido, com um tipo de mágoa nos olhos? Quando lhe fitei os olhos, irritado com a interrupção, você hesitou na porta. “O que você quer?”, disparei eu.

Você nada disse, mas correu e, num mergulho afobado, jogou os braços ao redor do meu pescoço e me beijou. E então você se foi, arrastando-se escada acima.

Bem, filho, foi logo depois disso que um terrível medo me tomou.

O que o hábito tem feito comigo? O hábito de procurar erros, de repreender – essa é a recompensa que eu lhe ofereço por você ser um menino. Não é que eu não ame você. O problema é que eu esperava demais da infância. Eu julgava você tendo minha idade como referência.

E há tanta coisa boa e verdadeira em seu caráter. Você demonstrou isso com seu impulso espontâneo de entrar correndo para me dar um beijo de boa-noite. Hoje, nada mais importa. Eu vim à sua cabeceira, no escuro, e aqui me ajoelhei envergonhado!

Este é um frágil pedido de perdão. Eu sei que você não compreenderia essas coisas se eu as dissesse para você enquanto estivesse acordado. Mas amanhã serei um pai de verdade! Serei seu amigo; vou morder a língua quando a impaciência tentar me fazer falar. Vou ficar dizendo para mim mesmo, como se fosse uma oração: “Ele é só um garoto – um garotinho!”

Receio que tenha visto você como um homem. Mas, olhando para você agora, amarrotado e cansado em sua cama, vejo que ainda é um bebê. Ontem mesmo você estava nos braços de sua mãe, com a cabeça em seu ombro. Eu exigi demais. Demais.

Por: Bispo Antonio Bulhões
Data: segunda, 23 de Janeiro de 2012 às 16:43

6 comentários:

  1. Muito forte Bispo! ESta mensagem falou diretamente comigo. Ontem cheguei em casa e só fiz cobranças ao meu filho, mas vou me acertar com ele e diante de Deus tambem! Que Deus o abençoe grandemente! Suas mensagens sempre me ajudam muito!

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  2. Bispo, tenho estado dessa maneira; impaciente e exigindo demais do meu filho. Lendo esse post vi o quanto tenho errado pois tenho imposto muitos limites a ele. Estou passando da dose. Serei mais sábia. Obrigada pela ajuda.

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  3. Olá,Bp. bom dia.

    Muito bom e ótimo para um reflexão,
    Que Deus o abençoe grandemente.

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  4. Este texto é muito forte vai ajudar a muitos pais.

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  5. Ola bispo, estou gostando muito das mesangens.
    Um forte a braço!!!!

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  6. Bispo, não sou evangélico. Encontrei este texto em seu blog enquanto o buscava no Google, e gostaria de lhe parabenizar por trazê-lo à sua página e permitir que outras pessoas conheçam a bela mensagem que esse texto nos traz...

    Mas dê o devido crédito ao autor. Este texto NÃO é de sua autoria, bispo. Esse texto faz parte de um livro muito antigo chamado "Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas", de Dale Carnegie (EUA, 1939).

    O texto faz parte do segundo capítulo deste que é meu livro de cabeceira e, portanto, é errôneo que o senhor conclua a citação de tal texto com um "Por: Bispo Antônio Bulhões".

    Com todo o respeito, corrija isso. É uma falta de respeito com o verdadeiro autor, que tanto ajudou e tanto ajuda pessoas, da mesma forma que eu acredito que o senhor faça.

    Um abraço.

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